Comércio em Foco

Venezuela e Cuba estão atrasados no pagamento de R$ 2,3 Bilhões ao BNDES

Com R$2,3 bilhões em passivo atrasado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Se estes países não respeitarem o pagamento, o governo brasileiro deverá cobrir o prejuízo. 4,4 bilhões no balanço de 2018. A cifra corresponde a 100% do que o BNDES tem por receber de ambos países.. Entre o que foi financiado nos dois países estão o Porto de Mariel, em Cuba, e o metrô de Caracas. Os financiamentos do BNDES ao exterior são avalizados pelo Tesouro, via Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que banca o Seguro de Crédito à Exportação (SCE). O BNDES publicou a perda no balanço a fim de obedecer as determinações do Banco Central (BC) de “provisão para créditos de liquidação duvidosa”. Pelas regras, quando um banco registra atrasos no recebimento de haveres, tem por obrigação fazer reserva de valores no balanço a fim de se precaver contra o possível calote. Isto não significa que o banco já tomou o prejuízo, mas sim que o lucro diminui. Ao receber do devedor inadimplente o valor devido em pagamentos atrasados, o banco pode tirar a dívida desta “reserva”.

Segudo o professor Sérgio Lazzarini, do Insper, os calotes reafirmam o que já era sabido: estes países são por demais arriscados. Como os empréstimos do BNDES incluem, para o especialista, subsídios do Tesouro, seria necessário que tivessem passado por uma rigorosa análise, considerando prós e contras, em momento anterios à concessão. Lazzarini não enxerga vantagens marcantes, no quesito de criação de vagas de trabalho, exportações e crescimento da produtividade, no apoio às empreiteiras que fizeram estas obras no exterior. O presidente do BNDES, Joaquim Levy, já declarou que tais empréstimos não se tornarão a acontecer. Ao falar sobre as perdas com os calotes da Venezuela e Cuba, Levy se absteve de relacioná-los às suspeitas de corrupção, mas falou que tais operações “responderam às prioridades de governo naquela época”. Falando ao Estadão/Broadcast mês passado, Levy falou que “acabou a política de emprestar para governos estrangeiros”, e que “foram feitos empréstimos por motivação política e que hoje não estão sendo pagos”, algo que “a população nunca apoiou”. Para o consultor Welber Barral, da Barral M Jorge, ex-secretário de Comércio Exterior no 2o. governo Lula, os empréstimos por parte de agências de fomento à exportação é algo que faz parte do jogo do comércio internacional. E que diversos países, desenvolvidos e emergentes, têm bancos ou agências similares. No caso de grandes obras de infraestrutura, a opção de fazê-las em países emergentes e mais arriscados fluiu com as condições de mercado, e que as construtoras brasileiras, tal como as da China, provavelmente não conseguiriam disputar contratos em países desenvolvidos. Sobre os calotes, ele falou que são “parte do risco do negócio” e o FGE é fomentado por taxas de seguro, oriundas de quem toma empréstimos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.